sexta-feira, 14 de junho de 2013

Manifestantes ateiam fogo em frente ao estádio Mané Garrincha

Uma enorme nuvem de fumaça preta tomou o céu da região do Eixo Monumental, em Brasília, na manhã desta sexta-feira. Fruto da manifestação de integrantes do Comitê Popular da Copa, que, em protesto contra a falta de moradias para a população de baixa renda na cidade, atearam fogo em frente ao Estádio Nacional Mané Garrincha, uma das sedes do Mundial de 2014 e da Copa das Confederações.
Organizadores estimam que cerca de 400 pessoas participaram da ação. Para driblar a segurança, alguns deles chegaram ao local dentro de um caminhão frigorífico. A polícia chegou rapidamente ao local, acompanhada da tropa de choque, e convidou duas lideranças do movimento para dialogar. Mas os ativistas disseram que só conversariam com a polícia todos juntos e deixaram a porta do estádio.
Caminhões dos bombeiros também chegaram ao local para conter o fogo e limpar a avenida, que dá acesso ao Mané Garrincha. Segundo Gabriel Santelli, representante do Comitê Popular da Copa, há cerca de cinco anos o movimento sem-teto tem reivindicado melhores condições de moradia em Brasília.
A alegação do governo seria a de que não existe recursos para essa demanda. Gilvan de Araújo, nascido na Bahia e há mais de oito anos na capital federal, afirma que cerca de 400 pessoas integrantes do grupo vivem em condições precárias na região.
Os manifestantes que foram às ruas em Brasília pedem a construção de 150 mil moradias populares nos próximos dois anos (custo de R$ 1,5 bilhão), a contratação de uma auditoria externa para as contas do estádio Mané Garrincha; o compromisso de não privatização do estádio e a abertura dele após a Copa para campeonatos amadores e escolas públicas.
Novos protestos já estão marcados para os períodos da manhã e da tarde neste sábado, dia da abertura das Copa das Confederações com o duelo entre Brasil e Japão. O Comitê Popular da Copa também promete manifestações em todas as 12 cidades-sede da Copa do Mundo nos próximos dias. 
A Marcha das Vadias, grupo que luta contra a mercantilização da mulher, também prometeu uma mobilização para o dia inicial da competição.

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