sexta-feira, 14 de junho de 2013

Cecilia Meireles


De que são feitos os dias? 
- De pequenos desejos, 
vagarosas saudades, 
silenciosas lembranças. 


Entre mágoas sombrias, 
momentâneos lampejos: 
vagas felicidades, 
inatuais esperanças. 



De loucuras, de crimes, 
de pecados, de glórias 
- do medo que encadeia 
todas essas mudanças. 



Dentro deles vivemos, 
dentro deles choramos, 
em duros desenlaces 
e em sinistras alianças...


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Se você errou


Se você errou, peça desculpas...



É difícil perdoar?
Mas quem disse que é fácil se arrepender?



Se você sente algo diga...



É difícil se abrir?
Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar?



Se alguém reclama de você, ouça...



É difícil ouvir certas coisas?
Mas quem disse que é fácil ouvir você?



Se alguém te ama, ame-o...



É difícil entregar-se?
Mas quem disse que é fácil ser feliz?



Nem tudo é fácil na vida...
Mas, com certeza, nada é impossível...


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É preciso não esquecer nada: 

nem a torneira aberta nem o fogo aceso, 
nem o sorriso para os infelizes 
nem a oração de cada instante. 




É preciso não esquecer de ver a nova borboleta 
nem o céu de sempre. 




O que é preciso é esquecer o nosso rosto, 
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso. 




O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos, 
a idéia de recompensa e de glória. 




O que é preciso é ser como se já não fôssemos, 
vigiados pelos próprios olhos 
severos conosco, pois o resto não nos pertence.

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